terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Resenha de A Montanha e o Rio

Oi pessoal. Desculpem a demora!! Estou finalmente postando a resenha daquele livro que tinha falado pra vocês que ganhei de natal. Gostei muito, só que já aviso que no livro tem muita história e algumas coisas que podem ser meio chocantes para alguns, porque tem várias mortes, torturas e estrupos detalhados.
O livro conta a história de meio-irmãos que se apaixonam pela mesma garota. Um é legítimo e não faz ideia da existência do outro, que por sua vez é bastardo, sabe da existência da outra família e admira muito o pai apesar de tudo. Ambos são muito esforçados e inteligentes, sendo sempre os melhores em tudo o que fazem na difícil China do final do século XX. Lá pra metatade do livro (aonde eu achei muito chato, parado e previsível.... mas depois melhora) os dois começam a se odiar muito, mas muito mesmo. A parte que mais gostei do livro inteiro foi o começo super diferente e impossível, mas muito legal. Da Chen escreveu de uma maneira muito realista, nem parecia que eu estava lendo um livro, mas sim que uma pessoa (ou várias) estavam na minha frente me contando essa históia. Ele não tenta deixar o livro mais bonito e/ou culto e sim cru. Bem real e que o único defeito que podeia por seria justamente esse: ser real e cru até demais. Se lerem vão entender exatamente o que 'disse'!!
Bom, aí vai alguns trechos para matar ou atiçar a curiosidade:
"Meu rosto congelou quando mordi uns desagradáveis grãos de areia que estavam no fundo da cuia. Tive que tampar a boca para não vomitar. O arroz tinha um gosto rançoso, parecendo até que estava estragado. Mas me senti melhor depois de comer. Só a boca sentia o paladar. A partir de então, o gosto passou a não ter mais importância. Comi para encher a barriga e poder sobreviver. Sentir prazer em comer era algo a que não poderia mais me dar ao luxo." - pág. 70
"- Eu queria poder voar para o céu como um pássaro - respondi...
- Você não está comendo direito e está com uma aparência horrível.
- Tenho q conseguir voar, senão vou morrer.
Sumi veio por trás de mim e, com o dedo, desenhou asas nas minhas escápulas. - Então voe meu pássaro. E eu direi adeus daqui, da terra para o céu.
- Só você me entende.
Encaixando sua cabeça debaixo do meu braço, puxei-a para junto de mim.
- Quando você estiver planando no vento, lembre-se de que fui eu que lhe dei asas - disse ela, sorrindo." - pág. 91
"No dia seguinte, quando minha família e eu comparecemos ao Colégio da Baía de Lu Ching, conhecemos as três figuras mais importantes da cidade de uma tacada só: o diretor da Escola, o secretário do Partido Comunista e o monge-abade do tmplo da vila. O sr. Koon detinha todos os três títulos.
Ele sorriu e explicou:
- Minha formação é de professor, o destino me tornou viúvo, e sou político porque ninguém mais queria ocupar o cargo. E assim ganho em dobro para compensar o minguado salário de professor.
...
O que é que Mao acharia de dividir o travesseiro com o bom e velho Buda? Um pensamento chocante." - pág. 188
Autor: Da Chen
Editora: Nova Fronteira
Págs: 493